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terça-feira, 12 de maio de 2009

A SOCIEDADE NO ANTIGO REGIME

A sociedade do Antigo Regime caracteriza-se por ser fortemente hierarquizada e estratificada em ordens e estados. Loyseau refere: «Não podemos viver todos na mesma condição» e é por se aceitar esta convicção que a sociedade do Antigo Regime foi hierarquizada e organizada de acordo com o prestígio, poder ou riqueza de cada grupo, alicerçada através do estatuto social, posição, dignidade, honra e direitos, sujeições, privilégios, deveres e símbolos distintivos de cada grupo social.


A categoria social é, pois, definida pelo nascimento e pelas funções sociais desempenhadas pelos indivíduos, correspondendo a um estatuto jurídico próprio.


A sociedade do Antigo Regime divide-se, efectivamente, em três estados ou ordens: o clero, a nobreza e o povo, também designado como Terceiro Estado, mas esta primeira divisão multiplicava-se depois em variadas subcategorias.


O clero, considerado o primeiro estado, é o único que não se adquire pelo nascimento, mas pela tonsura e goza de imunidades e privilégios [isenção fiscal e militar] e beneficia do direito de cobrança do dízimo, desempenhando altos cargos que lhe conferem grande prestígio e consideração social. A sua importância provinha ainda da função religiosa que desempenhava e da vasta erudição que o distinguia das restantes ordens sociais.


A nobreza constitui o segundo estado, sendo uma peça fundamental para o regime monárquico. Como ordem de maior prestígio, organiza-se como um grupo fechado, demarcado pelas condições de nascimento, pelo poder fundiário, pela sua função militar e desempenho dos mais altos cargos administrativos que lhe conferem poder, riqueza e grande prestígio.

Podemos distinguir a nobreza de sangue ou de espada (ancestral e honorífica) da nobreza de toga (recém nobilitada pelo exercício ou compra de cargos públicos. Não obstante as diferenças de estatuto social, podemos, no entanto, apontar como privilégios comuns a todos os nobres: a isenção de impostos, foro próprio e o usufruto de alguns privilégios de carácter senhorial.


O Terceiro Estado é a ordem não privilegiada, inferior na consideração pública. Muito heterogénea na sua composição, a sua importância dependia essencialmente da profissão exercida por cada indivíduo. Era a ordem tributária por excelência.

Podemos, por conseguinte, salientar o estrato dos camponeses e o da burguesia que englobava mercadores, banqueiros, cambistas, advogados, médicos, letrados, mas também o estrato composto pelos artesãos e trabalhadores assalariados e outros grupos sem modo de vida definido.


A distinção social fazia-se através de símbolos que incluíam o traje (certos tecidos reservados à nobreza e ao clero), saudação e tratamento (Eminência, Excelência, Senhoria para o clero e Excelência, Senhoria, Vossa Mercê ou Dom para a nobreza). A cada forma de tratamento correspondia um determinado número de rígidas normas protocolares que tinham de ser respeitadas em público.


Apesar desta estrutura que aparentemente retém a mobilidade social (já que o principal critério de diferenciação assenta no nascimento), o Antigo Regime permitiu a ascensão da burguesia à nobilitação quer pela via dos serviços especiais prestados ao rei quer pela do casamento entre famílias ricas da burguesia e famílias da nobreza.


FONTE: http://elchistoria.blogs.sapo.pt/8154.html?view=49626#t49626



segunda-feira, 11 de maio de 2009

ILUMINISMO


Introdução

Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade.

Os ideais iluministas

Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.

Século das Luzes

A apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, e, este, passou a ser conhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil.

Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero.

Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua forma participação limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econômicas.

No Antigo Regime, a sociedade era dividida da seguinte forma: Em primeiro lugar vinha o clero, em segundo a nobreza, em terceiro a burguesia e os trabalhadores da cidade e do campo. Com o fim deste poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significativamente seus negócios, uma vez que, com o fim do absolutismo, foram tirados não só os privilégios de poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a expansão comercial para a classe burguesa.

Principais filósofos iluministas

Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke (1632-1704), ele acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778), ele defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica a intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ele defendia a idéia de um estado democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu (1689-1755), ele defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783), juntos organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época.

FONTE http://www.suapesquisa.com/historia/iluminismo/

sexta-feira, 27 de março de 2009

REVOLUÇÃO INGLESA - AS ETAPAS

ETAPAS DA REVOLUÇÃO INGLESA DE 1640

Professor Rui Tavares Maluf

O quadro abaixo organiza as informações relativas à Revolução Inglesa, seja quanto aos seus antecendentes, à pré-revolução, como ao desenrolar da revolução (dividindo-a em etapas), até a derrocada que traz a restauração (retorno da Monarquia), procurando facilitar a compreensão sobre a dinâmica dos acontecimentos. Não quer dizer, necessariamente, que a historiografia consagre tal forma de divisão.

PERÍODOS OBSERVAÇÃO CARACTERÍSTICA

ANTECEDENTES
1509-1607 Inclui a dinastia dos Tudor, com ênfase para os reinados de Henry VIII e Elizabeth I. Henry é o 2º da dinastia (filho de Henry VII), e Elizabeth a última (filha de Henry VIII com Anna Bolena). Reforma Protestante na Europa Continental;

Reforma na Inglaterra, mediante rompimento formal com a Igreja Católica em Roma e, conseqüente confisco de todas suas propriedades. A partir daí, as propriedades tiveram três caminhos; venda ao mercado; passagem para Igreja Anglicana que se tornará a Igreja da Inglaterra, ou seja a Igreja Oficial, que deve obediência ao monarca.
PRÉ-REVOLUÇÃO
1607-1640 Período marcado por dois monarcas Stuart (Jaime I e Carlos I). Jaime I era filho da rainha da Escócia, Mary Stuart, e Carlos I filho de Jaime I. Os dois reis Stuart são vistos na Corte e pela sociedade em geral como católicos. O medo do Catolicismo é grande e serve sempre de pretexto nas lutas contra os Monarcas e a Monarquia.

Aumento de tributos, incidindo sobre o povo, e especialmente sobre as classes produtoras (burguesia). Um dos tributos que serve de referência para a eclosão do movimento é o Ship Money (taxa marítima para financiar a Armada inglesa, com a explicação de que a costa tem sido atacada por piratas).

Parlamentares ligados às classes produtoras entendem que a ilegitimidade do tributo não é este em si mesmo, mas o fato de que o mesmo é criado e/ou cobrado sem autorização parlamentar.
REVOLUÇÃO

1ª Etapa Primeiros conflitos
1640-1642 Reinado de Charles I Dissolução do Parlamento pela Coroa (Curto Parlamento), e convocação do Parlamento (Longo Parlamento);

Deputado John Hampden lidera os parlamentares anti-realistas no debate sobre 12 tributos que seriam instituídos para compensar a rejeição do Ship Money.

Disputa entre a Coroa e o Parlamento para saber quem comanda tropas para combater na Irlanda e sufocar o movimento Católico. Parlamento não concede autorização ao Rei.

2ª Etapa Luta aberta
1642-1645 Reinado de Charles I x Parlamento Guerra Civil (Realistas x Parlamento);

Guerra aos católicos da Irlanda;

Disseminação das seitas puritanas pela Inglaterra;

Aumento do fluxo de emigrantes para as novas colônias da América

Vitória das forças do Parlamento, mediante a criação do Exército do Novo Tipo, liderado por Oliver Cromwell. Rei foge;

3ª Etapa Tomada do Poder
1646-1648 Monarquia ainda vigente, prisão do Rei, Fuga, Execução, Proclamação da República Rei se entrega as tropas escocesas que eram suas aliadas, com o consentimento dos vitoriosos (maio, 46). Ele será preso depois pelo comitê de soldados do Exército do Novo Tipo, que pressente que haveria um entendimento dos líderes da Revolução com os realistas para libertá-lo (junho, 47). Rei foge do cativeiro e consegue novamente reunir suas tropas para uma nova fase da Guerra Civil (novembro, 47);

Rei é derrotado militarmente pela última vez (1648);

Surgimento dos Levellers (1646)/Diggers (1649), liderado pelo líder radical Gerrard Winstanley;

Disseminação das idéias dos Levellers no
seio do Exército.
4ª Etapa República
1649 República
Lord Protector Oliver Cromowell Rei é decapitado após ser julgado e considerado traidor (janeiro);

Derruba-se a Monarquia, implanta-se a República (maio);

Repressão aos Levellers (Massacre de Burford), comandado por tropas leais a Cromowell (maio);

Nova invasão da Irlanda (Julho);

3.500 pessoas são massacradas na Irlanda, no cerco a Drogheda, pelas tropas comandadas por Ireton e Cromowell (setembro). Novo massacre cometido pelas tropas de Cromowell na Irlanda, na cidade de Wexford. Cromwell alega que não deu ordens para o massacre (outubro).
5ª Etapa Estabilização
1650-1658 República de Cromwell e Ditadura de Cromowell.

Lords Protectors Oliver Cromowell Aprovada nova Lei de Navegação, com o fim dos monopólios no setor

Mudanças nos direitos (fim dos feudais e tribunais);

Charles II, filho de Charles I, chega a Escócia e é declarado Rei da Escócia. Organiza invasão da Inglaterra, mas é derrotado (1651);

Confiscos de terras de proprietários realistas e da Igreja Anglicana e consolidação da passagem de mãos (1651-1654);

Morte de Ireton (genro de Cromowell) e importante comandante militar (1651);

Guerra Naval contra as Províncias Unidas (Holanda) pelo controle naval e mercantil dos mares (1653-1654);

Escócia e Inglaterra passam a ser representadas no Parlamento com 33 e 37 membros respectivamente;

Cromwell dissolve o Parlamento (conhecido como o Longo) (abril, 1653) e convoca assembléia de seus partidários (julho);

Assembléia decide que Cromwell será Lord Protector da Inglaterra, Escócia e Irlanda e aprova o Instrument of Governments considerada a única Constituição escrita da Grã-Bretanha (dezembro, 1653);

Parlamento aprova o Humble Petition and Advice, pelo qual cria a 2ª Câmara em lugar da dos Lordes, chamada de Upper (mais alta), ou simplesmente A Outra (maio, 1657);

Cromwell rejeita sua indicação para Rei em uma tentativa de restauração da Monarquia em novas bases (dezembro, 1657);

Morte de Oliver Cromwell aos 59 anos. Richard, seu filho é designado Lord Protector (setembro, 1658).

5ª Etapa Derrocada da Revolução
1658-1659 República
Lord Protector Richard Cromwell As forças que sustentaram a Revolução estão agora divididas e Richard não detém o mesmo prestígio que seu pai. As classes produtoras (burguesia) em boa medida aceitam a volta da Monarquia, a qual se dará em novas bases (sem o mesmo poder de antes), e como consciência de que o mais importante é afastar o risco de novos conflitos que afetem a economia e os negócios.

Richard Cromwell renuncia mediante pressão do Exército, liderado pelo general Monck (maio, 1659).



RESTAURAÇÃO
1660-1688 Reinado dos Stuart Charles II e James II Restauração do Parlamento (abril, 1660)

Restauração da Monarquia (maio, 1660);

Nova força ao catolicismo (Carlos foi educado na França, onde se deu o exílio, sob forte formação católica);

Devolução de muitas terras confiscadas;

Apesar da restauração os reis não são mais completamente independentes do Parlamento;

Guilherme de Orange (Holanda) acaba por aceitar a imposição do Bill of Rightd pondo fim a contenda com o Parlamento em 1688, num episodio que ficou conehcido como Revolução Gloriosa. Na verdade a revolução gloriosa foi um complemento da REvolução Puritana que pós a burguesia em definito no poder e consistiu num golpe da burguesia contra Jaime II, colocando em seu lugar o Guilherme de Orange, holandês, que aceitou as condições impstas pelo Parlamento.

REVOLUÇÃO INGELSA

REVOLUÇÃO INGLESA - ORIGENS

Ao vermos a grande reverência e prestígio que as autoridades monárquicas inglesas possuem, nem chegamos perto de imaginar que esse país foi palco de um conflito contra sua realeza. No entanto, no século XVII, a ilha britânica protagonizou um dos primeiros episódios que sinalizavam a crise do Antigo Regime. Foi durante a Revolução Inglesa que as instituições nobiliárquicas foram alvo de uma violenta disputa que marcou a história política da Inglaterra.

Durante os reinados da dinastia Tudor, a Inglaterra viveu um notório desenvolvimento de sua economia. Sob a tutela do rei Henrique VIII e, posteriormente, da rainha Elizabeth I, a burguesia britânica viveu anos de intensa ascensão econômica. A formação de monopólios comerciais e o desenvolvimento de lucrativas atividades fizeram com que a parte da burguesia britânica enriquecesse rapidamente.

No entanto, os pequenos comerciantes acabaram sendo prejudicados. As vantagens da política econômica britânica beneficiavam uma parcela limitada de uma burguesia bem relacionada com as autoridades reais da época. Além disso, parte das corporações de ofício inglesas detinha o monopólio sob a produção de certos produtos manufaturados que impediam a ampliação do campo de atividades econômicas explorados pela burguesia.

No campo, a velha economia agrícola voltada ao abastecimento sofria grandes transformações. As terras passaram por um grande processo de especulação econômica decorrente da demanda da burguesia por matérias-primas. Foi nesse período que se instituiu a política dos cercamentos. Tal medida visava ampliar a disponibilidade de matéria-prima por meio da apropriação das terras coletivas e devolutas. Com isso, vários camponeses e pequenos proprietários de terra sofreram uma terrível perda que empobreceu tais setores da sociedade britânica.

Nesse contexto contraditório, onde a Inglaterra enriquecia à custa da exclusão econômica de parte da população, é que temos preparado o contexto revolucionário inglês. Além dos problemas de caráter econômico, as contendas religiosas entre católicos e protestantes dividiam a sociedade britânica em mais uma delicada questão histórica.

As tensões sociais e a situação da monarquia britânica se agravaram quando, em 1603, a dinastia Stuart chegou ao trono inglês. Influenciados por uma forte tradição católica e interessada em fixar bases mais sólidas ao absolutismo britânico, os monarcas da família Stuart acabaram alimentando disputas de caráter econômico e religioso. Dessa forma, foi dado início às disputas entre o Parlamento, de visão liberal e composta por burgueses protestantes; e o reis da Dinastia Stuart, que eram católicos e procuravam ampliar sua autoridade política.

O autoritarismo real contribuiu para que diversos conflitos acabassem se desenvolvendo no interior da Inglaterra. Não conseguindo atingir a imposição de reformas que acabassem com os problemas religiosos e econômicos, o Parlamento buscou no apoio popular a instauração de uma guerra civil que marcou as primeiras etapas do processo revolucionário inglês.

FONTE: http://www.brasilescola.com/historiag/revolucao-inglesa.htm